Cyberbullying é intimidação, agressão ou assédio, realizados através da tecnologia. Existem vários tipos, todos com consequências graves.

Imagem: Canva Pro
Cyberbullying é o nome das práticas de intimidação, agressão ou assédio realizadas através da tecnologia. Existem vários tipos e todos causam consequências graves, principalmente para adolescentes e jovens adultos.
No Brasil, infelizmente essa prática é muito comum. Segundo um estudo de 2024 publicado pela revista Veja, o país é o segundo no ranking global de casos. E não para por aí: anteriormente, estudos da Universidade de Sheffield e Nottingham, de Londres, mostram que 80% dos adultos já sofreram cyberbullying no trabalho.
Esse tipo de ataque pode acontecer com qualquer pessoa, mas é comum as vítimas serem jovens. Isso acontece porque elas estão expostas ao ambiente virtual, mas ainda estão desenvolvendo as habilidades para lidar com a internet e os eletrônicos.
Hoje você conhecerá as principais informações sobre o cyberbullying, como:
- Quais são os principais tipos e situações mais frequentes;
- Quais as consequências do cyberbullying;
- Como se proteger, ou proteger adolescentes que possam estar sendo vítimas.
A Ligga é parceira da Abrace e do projeto Escola sem Bullying, que educa famílias sobre a importância de um ambiente online seguro. Nos orgulhamos em defender esta bandeira e ajudar a tornar a internet um lugar mais seguro.
O que é o cyberbullying?
Cyberbullying é o nome de várias formas de assédio que acontecem no meio digital. Inclui enviar mensagens de ódio, fazer comentários ofensivos ou divulgar informações pessoais da vítima para prejudicá-las.
Esses atos são frequentes e difíceis de monitorar. Isso acontece porque a informação se espalha muito rápido na internet, incluindo os conteúdos negativos. Além disso, muitas vezes os agressores estão protegidos pelo anonimato, criando contas falsas.
Alguns tipos de ataques são “públicos”, ou seja, estão em redes sociais, em que mais pessoas podem ver ou até compartilhar o conteúdo. Em outros casos, é no particular, com comentário em contas privadas ou em e-mail.
Em ambas as situações, raramente a vítima sabe quem está do outro lado da tela. Isso pode causar ainda mais danos à saúde mental, por causar uma sensação de impotência. Outro agravante é que, se o conteúdo for compartilhado, é difícil remover completamente da internet.
Qual a diferença entre bullying e cyberbullying?
Bullying e cyberbullying são muito parecidos, pois são atos repetidos de intimidação e agressão. As diferenças estão principalmente nos ambientes em que acontecem.
O bullying:
- Acontece em ambientes físicos, como escola, parques, passeios do colégio, etc.;
- Pode envolver agressão física;
- Normalmente não é anônimo, ou seja, é possível identificar os agressores;
- Os ataques tendem a não ser tão frequentes quanto no cyberbullying, nos casos em que é possível evitar o agressor;
- Os ataques tendem a não se disseminar tão facilmente.
No caso do cyberbullying:
- Acontece em ambientes virtuais, como redes sociais;
- Não envolve agressão física, apenas ameaça;
- Na maioria das vezes é anônimo;
- Os ataques podem ser frequentes, pois mesmo bloqueando as contas, o agressor pode criar novas;
- Os ataques podem se disseminar com maior facilidade, através do compartilhamento em grupos de ódio.
Como funciona o cyberbullying?
Existem algumas características do funcionamento da internet que tornam o cyberbullying uma questão tão frequente e problemática. Podemos pensar em seu funcionamento a partir de três pontos:
- Capacidade de compartilhar informações;
- Possibilidade de anonimato;
- Potencial de viralização.
Essas características não são maléficas em si, o problema é que o cyberbullying as usa para prejudicar os outros.
A capacidade de compartilhar informações é usada para publicar conteúdo ofensivo em comentários de redes sociais, mensagens diretas, para criar páginas ou sites ofensivos, envio de e-mails humilhantes ou compartilhamento indevido de dados.
A possibilidade de anonimato cria uma sensação de impunidade, que incentiva o comportamento e, em alguns casos, intensifica o nível das ameaças ou humilhações.
O potencial de viralização faz com que determinados conteúdos humilhantes alcancem um grande número de pessoas, através do compartilhamento em grupos de ódio.
Tudo isso dificulta muito a tarefa de eliminar o cyberbullying. É difícil apagar todo o conteúdo difamatório na internet. Além disso, antes de se pensar em punições, é necessário todo um trabalho para identificar o agressor.
Quais são os tipos de cyberbullying?
O cyberbullying vai mudando ao longo do tempo. Por exemplo, houve épocas em que era mais comum tentar roubar dados bancários, em outros momentos era “moda” registrar agressões físicas.
Em todas as situações, as ações causam prejuízos sérios e afetam principalmente o emocional das vítimas.
Veja abaixo algumas das situações mais comuns de cyberbullying.
Hater
Haters são as pessoas que odeiam alguém de forma desproporcional. Ou seja, a pessoa espalha ódio e ofensas direcionadas a alguém, ou algo que ela não goste. É muito comum encontrar haters em redes sociais.
A tendência é, que quanto maior seja a exposição da pessoa, maior seja a possibilidade de ela ter haters. Por isso, até pessoas famosas, como artistas, jogadores de futebol ou cantores têm haters.
Sexting
A palavra é uma mistura de “sex” (sexo) e “texting” (envio de mensagens). Logo, sexting é o envio de material erótico por mensagens em redes sociais. É quando alguém recebe esse tipo de material sem consentimento, ou quando troca mensagens do tipo com alguém em quem confia, e a pessoa divulga o conteúdo.
A situação é delicada e requer acompanhamento profissional, especialmente se acontecer com menores de idade. É importante conversar com o jovem e verificar se é necessário acionar a polícia ou não.
Revenge porn
Em português, significa “pornografia de vingança”. É quando alguém registra um ato sexual e usa as imagens como forma de extorsão ou de humilhação. É considerado crime de acordo com as leis brasileiras, portanto as vítimas podem buscar apoio jurídico e das autoridades para lidar com os casos.
Perfis falsos
Os “fakes” ou perfis falsos são criados para enganar a vítima.
Em alguns casos, são criados com um “alvo” em mente. Eles são usados para iludir esta pessoa, ou para enviar mensagens ofensivas sem o risco de identificação.
Em outras situações, os perfis falsos são usados para tentativas de extorsão das vítimas, sem ter um “alvo” específico em mente.
Um caso famoso é o do golpista do Tinder, que virou documentário na Netflix. Ele usava contas falsas em aplicativos como Tinder para iludir e enganar mulheres. As vítimas eram extorquidas e não conseguiam recuperar o dinheiro.
Roubo de senhas
Este é um crime virtual que, em alguns casos, pode ser considerado uma forma de cyberbullying.
É uma forma de bullying quando o objetivo é expor a vítima de alguma forma, não obter vantagens financeiras. Por exemplo, compartilhar mensagens pessoais fora de contexto ou divulgar arquivos pessoais, como fotos e vídeos.
Enquetes maldosas
É uma forma de cyberbullying comum entre os jovens, que participam de grupos fechados e específicos, como um grupo de alunos de uma escola ou de uma faculdade.
São enquetes maldosas postadas nestes grupos, como “quem é a pessoa mais feia da sala”. As perguntas e as respostas costumam ser feitas através de perfis anônimos. Ou seja, apenas as vítimas ficam expostas.
Harassment
Harassment, ou “assédio”, em português, são atos repetitivos de perturbação ou de perseguição virtual. Pode acontecer de várias formas, como enviando mensagens sem parar, ou criando vários perfis para atacar a vítima.
A principal característica é ser um comportamento persistente e sempre anônimo. Quando a vítima bloqueia um perfil, o agressor cria outro. E, se a vítima fecha totalmente uma rede social, o agressor procura outra forma de entrar em contato, como um e-mail.
Cheating
Cheating significa “trapaça” ou “traição” no inglês. No contexto do cyberbullying, são pessoas que se mostram confiáveis, mas passam a humilhar a vítima depois de conquistar a sua confiança.
É uma estratégia de manipulação em que um suposto amigo compartilha conteúdo ofensivo pelas costas, divulga informações pessoais, ou se aproveita da relação próxima para tentar extorquir a vítima.
Happy slapping
Em inglês, happy slapping quer dizer algo como “surra divertida”. É um tipo mais recente de cyberbullying, que surgiu por volta de 2008 como uma tendência nas redes sociais.
Consiste em gravar atos de agressão. Normalmente, um grupo de pessoas se reúne, uma pessoa filma, e outras batem na vítima. Depois o vídeo é postado em alguma rede social.
Quem compartilha o conteúdo, afirma que é só uma “pegadinha” com um colega, ou que não é nada mais sério.
O que o cyberbullying pode causar?
O cyberbullying pode causar impactos emocionais severos na vítima, como:
- Isolamento social, pela dificuldade de interagir na internet sem sofrer ataques;
- Problemas acadêmicos ou no trabalho, derivados do estresse causado pelas agressões;
- Problemas de saúde física, como perdas de apetite ou problemas de sono;
- Baixa autoestima;
- Medo e insegurança.
Quais as consequências mais sérias do cyberbullying?
Quando os casos não são descobertos e a vítima não recebe o suporte necessário, as consequências podem ser ainda mais severas. Em alguns casos, acompanham as vítimas pela vida toda, em vários espaços, como estudos, trabalho, vida social ou relacionamentos.
Algumas das consequências comuns são:
- Isolamento severo;
- Tristeza excessiva;
- Depressão;
- Transtornos de ansiedade;
- Síndrome do pânico.
Como evitar o cyberbullying?
As principais formas de combater o cyberbullying são usar a internet de forma consciente. Isso diminui o risco de ataques, ou torna as consequências menos severas. Veja algumas ações:
- Não compartilhe suas senhas com amigos ou colegas de trabalho;
- Seja cuidado com as amizades virtuais e não se exponha demais;
- Se você for pai ou mãe, converse com seus filhos sobre a importância das amizades virtuais e veja com quem eles conversam nas redes sociais;
- Tenha atenção ao compartilhar fotos e vídeos na internet;
- Não abra links suspeitos, ou enviados por pessoas que você não conhece;
- Evite a exposição desnecessária na internet;
- Se você for menor de idade e estiver sofrendo com ataques, converse com seus pais;
- Se você for maior de idade e estiver sofrendo cyberbullying, entre em contato diretamente com a polícia, se achar que os ataques configuram crime.
O que diz a lei brasileira sobre cyberbullying?
No Brasil, a lei que regulamenta o combate ao bullying é a 13.185/2015. Ela legisla sobre qualquer tipo de intimidação, seja física ou não, e tem um parágrafo específico sobre cyberbullying:
“Há intimidação sistemática na rede mundial de computadores (cyberbullying), quando se usarem os instrumentos que lhe são próprios para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial”.
A lei 14.811/2024 também menciona o cyberbullying e possíveis punições, como multa ou detenção.
Também há certos casos que se enquadram em outras leis. Por exemplo, segundo a lei 13.718/2018, sobre importunação sexual, é crime compartilhar fotos pornográficas de terceiros. Esta é a definição de “revenge porn”, um dos tipos de cyberbullying.
Punições para o cyberbullying
Segundo o texto da lei 14.811/2024, a pena é: reclusão, de 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa, se a conduta não constituir crime mais grave.
Fora isso, depende do tipo de conduta, intensidade do bullying e forma como é realizado. Extorsão, porngorafia de vingança ou discurso de ódio são crimes diferentes. Todos podem se encaixar na definição de cyberbullying, mas cada um tem suas próprias penas e legislação específicas.
Por que denunciar o Cyberbullying é importante?
A denúncia é importante, não só para que haja punição aos agressores, mas para que os conteúdos sejam removidos da internet. Quando o cyberbullying é crime, é possível acionar as autoridades. Se não for, é possível acionar as plataformas para remover conteúdos de bullying.
Mas tudo começa com a denúncia. Ela ajuda quem está em posição de lidar com a violência: polícia, setores de RH em empresas, escolas, entre outras. As denúncias também fornecem estatísticas que embasam políticas públicas de combate à violência.
Por isso, se você viu alguém cometendo ou sofrendo cyberbullying: denuncie!
Onde procurar ajuda contra o cyberbullying?
Nos casos mais críticos, em que há infração do código penal, é possível acionar a polícia. Muitas cidades já contam com delegacias de crimes cibernéticos, importantes para criar um serviço de controle e prevenção de casos criminais.
Nos casos mais comuns, em que o cyberbullying ocorre na escola ou no trabalho, é possível apelar por uma mediação mais pontual.
No caso da escola, o aluno pode recorrer à equipe pedagógica, que deve estar preparada para indicar soluções.
Quando a violência ocorre no trabalho, é importante que se busque ajuda nos setores de recursos humanos, eles são responsáveis por mediar essas situações e tomar atitudes.
Conclusão
O cyberbullying é complexo, com potencial para causar danos severos para as vítimas. E, por ser difícil identificar os autores, é necessário ter um esforço conjunto para combatê-lo com eficiência.
Eliminar o cyberbullying envolve esforços de educação e conscientização, uso consciente da internet, e denunciar um caso sempre que ele for descoberto.
Por aqui, apoiamos a causa por meio do projeto Projeto Internet sem Bullying. Nosso compromisso segue o mesmo: fortalecer ações educativas para tornar a internet segura para todos!









